A volta do brasileiro americano e professor de Obama

Brasília - O ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, concede entrevista à Agência Brasil Foto: Valter Campanato/ABr

Brasília – O ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, concede entrevista à Agência Brasil Foto: Valter Campanato/ABr

O Palácio do Planalto anunciou na terça-feira (3) que o professor Mangabeira Unger será o ministro de Assuntos Estratégicos e substituirá o atual chefe da pasta, Marcelo Neri.

Unger já comandou a pasta, entre 2007 e 2009, durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e entrou em 2013 para a lista de intelectuais do ano da revista britânica “Prospect”.

Roberto Mangabeira Unger é um filósofo e destacado teórico social, além de atual ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República do Brasil. Em 1971 tornou-se um dos mais jovens professores da Universidade Harvard.

 

Em nota entregue aos jornalistas pelo ministro Thomas Traumann, da Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência da República, a presidenta Dilma Rousseff agradece “a competência, dedicação e a lealdade do ministro Marcelo Neri” durante o período em que chefiou a secretaria. Neri foi presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e exerceu o cargo de ministro da SAE interinamente de março de 2013 a maio de 2014.

É membro da Academia Americana de Artes e Ciências. Em 1991, foi professor de Barack Obama, atual presidente norte-americano.

 

PS _ “brasileiro americano” no título: assim mesmo para provocar…

 

 

Lei abaixo um texto de Unger sobre reforma política:

 

QUAL REFORMA POLITICA?

Roberto Mangabeira Unger

Reforma política que venha ao encontro dos anseios da nação deve aprofundar o que a Constituição de 1988 prometeu mas não entregou: a reconciliação da democracia representativa com a democracia participativa.

Democracia participativa e direta não deve ser contra democracia representativa e partidária: são duas formas de organização democrática que podem e devem se reforçar reciprocamente.

E representação não precisa fazer-se só por partido. É equívoco pensar que se os cidadãos não se organizarem e se fizerem representar exclusivamente por meio de partidos estarão condenados a ser horda amorfa e manipulável.

Podem organizar-se — e se fazer representar — também por outros canais, como são os movimentos fora dos partidos. Problema. A política continua na sombra corruptora do dinheiro.

Dinheiro não deve poder comprar político e governante. O financiamento privado das eleições é a primeira causa, direta ou indireta, de corrupção na política brasileira. A segunda causa é a ocupação do Estados por um bando de gente nomeada pelos governantes. Solução: organizar o financiamento público não só dos partidos, mas também dos candidatos avulsos e independentes.

Permitir contribuições privadas apenas de pequeno valor, até o máximo de cinco salários mínimos. Insistir que no horário eleitoral da televisão, que é onde se gasta, desnecessariamente, a maior parte do dinheiro das campanhas mais importantes, só possa haver fala de candidato diante de fundo simples. Para completar a obra: começar a substituir a grande maioria dos cargos comissionados, de indicação política, por carreiras de Estado. Problema. Os partidos querem monopolizar a política e a representação.

O povo brasileiro não quer. Não leva os partidos a sério, tal como existem, a não ser como ameaça permanente. Solução. Qualquer cidadão que demonstre, por assinaturas, contar com o apoio de um por cento do eleitorado em seu município, em seu estado ou no país (de acordo com o mandato a que pretenda concorrer) pode concorrer sem legenda partidária, inclusive à presidência da república.

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