Morre um pouco da raiz caipira

inezita

Durante muitos anos levantava cedo e ligava na TV Cultura para assistir Viola, minha viola. Era o meu momento para prestigiar uma cultura cada vez mais rara no país. Inezita era uma das vozes femininas mais famosas da música sertaneja, Ao morrer neste domingo, ao 90 anos, um pouco dessa raiz foi embora.

Inezita comandava desde os anos 1980 o programa Viola, minha viola. Inezita Barroso deixa uma filha, Marta Barroso, três netas e cinco bisnetos.

A cantora e apresentadora estava de férias com a família quando ficou com febre e foi socorrida pela família no dia 19 de fevereiro. Ela havia completado 90 anos na quarta-feira passada. Antes desta internação, Inezita havia sofrido uma queda na casa da filha no interior de São Paulo e foi hospitalizada com dores na coluna, mas nenhum trauma foi detectado na época e ela foi liberada.

Com mais de 60 anos de carreira, a cantora também foi atriz. No cinema, atuou em filmes como O preço da vitória e Mulher de verdade com o qual conquistou os prêmios Saci de melhor atriz em 1955 e Governador do Estado, na mesma categoria e ano.

Recolhi no facebook algumas opiniões sobre a artista:

“Inezita Barroso conhecia cada caminho, cada vereda da cultura popular desse país. Perdemos muito mais que uma grande cantora e pesquisadora. Toda homenagem é pouca diante de sua grandeza como artista e cidadã!” – Ítalo Cardoso diretor da SpTuris.

“Aprendi com minha mãe a admirar Inezita Barroso. Lembro dela em programas de TV muito antigos. De longe seguia acompanhado sua carreira até que um dia pude entrevistá-la num programa da TV USP, sempre solicita e muito simpática, cantou e contou histórias. Será que a TV USP guardou esse vídeo?” – Laurindo Lalo leal Filho – jornalista e professor.

“Ainda parabenizava Inezita pelos seus bem vividos 90 anos, completados na semana passada. O corpo vai. A alma fica. E o trabalho ratifica e resplandece o mito. Inezita, esta paulistana de família aristocrata, ficará para sempre registrada como a primeira dama da música caipira. Vá em paz, minha querida. Com sua voz e sua alegria infinita” – Silvio Micelli – jornalista.

A música caipira está duplamente em luto, depois da morte de José Rico no dia 03 de março, agora perdeu também Inezita Barroso, um ícone da música caipira, incentivadora e grande pesquisadora musical. Para homenageá-la, principalmente, neste período de seca em São Paulo, ofereço a todos os amigos e amigas esta maravilhosa interpretação da música Chuá Chuá de Cascatinha e Inhana apresentada no programa Viola Minha Viola. – Júlio Cesar Sacramento, sociólogo

Confira a biografia de Inezita, do site da TV Cultura:

Ignez Magdalena Aranha de Lima, nome de batismo de Inezita Barroso, nasceu em 4 de março de 1925, no bairro da Barra Funda, em São Paulo. Filha de família tradicional paulistana, passou a infância cercada por influências musicais diversas, mas foi na fazenda da família, no interior paulista, que desenvolveu seu amor pela música caipira e pelas tradições populares. Formada em Biblioteconomia na USP (Universidade de São Paulo), Inezita foi uma grande pesquisadora da música caipira brasileira. Por conta própria, percorreu o interior do Brasil resgatando histórias e canções. Reconhecida por este trabalho, foi convidada a dar aulas sobre folclore em uma universidade paulista. Pelo seu trabalho como folclorista, e por ser uma enciclopédia viva da música caipira e do folclore nacional, recebeu o título de doutora Honoris Causa em Folclore pela Universidade de Lisboa.

O nome artístico foi criado aos 25 anos, quando ela juntou seu apelido de infância, Inezita, ao sobrenome do marido, Barroso.

A artista Inezita Barroso era cantora, instrumentista, folclorista, atriz e professora. Começou a cantar e estudar violão aos sete anos. Depois, começou com viola e piano. Tomou gosto pelo universo rural já nos primeiros anos de sua vida e na adolescência realizou recitais e shows. Sua primeira gravação em disco foi realizada no ano de 1951 pela gravadora Sínter. A partir daí, Inezita gravou cerca de 100 discos.

O primeiro DVD musical da dama da música de raiz, Inezita Barroso – Cabocla Eu Sou, foi lançado em dezembro de 2013 e sintetiza os mais de 60 anos de carreira da cantora.

É uma das cantoras mais premiadas do Brasil, sendo detentora de mais de 200 prêmios, entre eles o Prêmio Sharp de Música na categoria Melhor Cantora Regional, o Grande Prêmio do Júri do Prêmio Movimento de Música, em homenagem aos 47 anos de carreira, e o Prêmio Roquette Pinto como Melhor Cantora de Rádio da Música Popular Brasileira. Sua longa carreira foi coroada com o Grande Prêmio da Crítica da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), em 2010, e com a escolha de seu nome para ocupar uma das cadeiras da Academia Paulista de Letras, em 2014. Inezita seria empossada oficialmente em meados de março deste ano.

Em 2009, Inezita recebeu do governo do Estado de São Paulo o título vitalício de Grande Oficial pelo compromisso com as raízes culturais do país e pela contribuição significativa para o entretenimento dos brasileiros.

Na tevê, sua carreira começou junto com a TV Record, onde foi a primeira cantora contratada. Depois, passou pela extinta TV Tupi e outras emissoras, até chegar à TV Cultura para comandar o Viola, Minha Viola.

Na rádio, Inezita esteve à frente de microfones da Record, USP e Rádio Cultura AM, onde apresentou, por 10 anos, o programa diário Estrela da Manhã.

O começo de tudo

O mais antigo programa de música da TV brasileira no ar, O Viola, Minha Viola estreou no dia 25 de maio de 1980, com apresentação de Moraes Sarmento (1922-1998) e Nonô Basílio (1922-1997), nos estúdios da TV Cultura, na Barra Funda. A partir da terceira edição, em junho, Inezita Barroso passou a participar da atração como convidada fixa e logo já conquistou a simpatia do público. Meses depois, em agosto, Nonô deixou o programa e Moraes ganhou como parceira a mulher que, anos mais tarde, tornar-se-ia a dama da música caipira no País.

Nessa época, a atração também ganhou espaço exclusivo: mudou-se para o Auditório Franco Zampari, na região da Luz, em São Paulo. Durante algum tempo, o Viola foi itinerante e viajou por diversas cidades do interior paulista, voltando, mais tarde, a fixar-se no Zampari.

Inezita Barroso gravou mais de 1500 edições do Viola, Minha Viola, voltado a modas de viola, música de raiz, lendas e danças folclóricas.

Tendo se tornado um verdadeiro centro da tradicional música de raiz, ao longo dos anos, o palco do Viola recebeu os maiores astros do gênero, como Tonico e Tinoco; João Pacífico; As Galvão; Pedro Bento e Zé da Estrada; Cascatinha e Inhana; Milionário e José Rico; Tião Carreiro e Pardinho; Almir Sater; Daniel; Chitãozinho & Xororó; Renato Teixeira: Sergio Reis; entre muitos outros célebres do cenário musical caipira.

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