Cartas abertas ao som

Segue abaixo a trocação de cartas entre Roger Waters – ex-Pink Floyd e Caetano Veloso/Gilberto Gil e por último uma carta de uma palestina-brasileira. O espaço está aberto para outras cartas…. que discutam com seriedade o assunto.

roger

Carta de Roger Waters a Caetano e Gil

No mês passado eu escrevi para Caetano e Gil e não recebi nenhuma resposta, mas suponho que eles irão cruzar a linha do piquete e tocar em Tel Aviv. Que seja. Eles devem ter razões imperativas que estão guardando para si mesmos. Em minha carta a eles, eu falei sobre futebol, praias, direitos humanos e sonhos. Aqui vai uma história sobre sonhos e futebol.

Jawhar Nasser Jawhar, 19, e Adam Abd al-Raouf Halabiya, 17, dois jovens e promissores jogadores de futebol, sonhavam em um dia jogar profissionalmente, talvez até defendendo a camisa do país deles. Em 31 de janeiro, enquanto eles caminhavam para casa, saindo de uma sessão de treinamento no Estádio de Faisal al-Husseini em al-Ram, no centro da Cisjordânia, forças israelenses abriram fogo contra eles sem aviso.

Jawhar foi atingido sete vezes em seu pé esquerdo e três vezes no direito. Halabiya foi ferido uma vez em seu pé esquerdo e uma no direito. Médicos no hospital governamental de Ramallah dizem que os dois nunca chutarão uma bola de futebol de novo; na verdade, serão necessários seis meses de tratamento antes que os médicos possam avaliar se eles poderão andar novamente.

Estes dois jovens não foram acusados de nenhum delito, e nenhum inquérito foi aberto sobre as ações dos soldados responsáveis por suas lesões incapacitantes.

Assim, Caetano e Gil, Jawhar e Halabiya não estarão presentes no show de vocês em Tel Aviv. No entanto, os homens que os balearam estão livres para comparecer, se desejarem.

Roger Waters

7 de junho de 2015, Nova Iorque”.

 caetano e gil

Leia a carta de Caetano Veloso a Roger Waters sobre o show em Israel

 

Esta é carta que Caetano Veloso mandou para Roger Waters, o ex-líder do Pink Floyd, que pediu que ele e Gilberto Gil não façam show em Israel, em julho, por causa do “massacre contra os palestinos”:

“Querido Roger,

Há cerca de um mês recebemos sua carta através de Pedro Charbel, um jovem brasileiro que faz parte do Movimento BDS. Pedro veio à minha casa, onde ele nos conheceu, a Gil e a mim — junto com nossas empresárias —, acompanhado de uma jovem brasileiro -israelense, Iara Haazs, uma judia (que também está com o BDS), para pedir que cancelássemos o show, em Tel Aviv, no próximo mês. Antes disso, nós recebemos a carta de um importante militante dos direitos humanos no Brasil com o mesmo pedido.

Hoje nós recebemos outra, desta vez do próprio Desmond Tutu (ele foi citado na sua e em todas as outras cartas e mensagens que recebemos sobre o assunto). Tentarei responder a ele também.

Quando a África do Sul estava sob o regime de apartheid, e eu soube que artistas estavam se recusando a tocar lá, concordei como que automaticamente com tal decisão.

A complicada situação no Oriente Médio não me mostra o mesmo tipo de imagem preto-no-branco que o racismo oficial, aberto, da África do Sul me mostrava então. Eu disse a Charbel como me sentia a respeito.

Ele pareceu achar, como você, difícil de acreditar que pessoas como Gil e eu não fôssemos recusar o convite dos produtores e do público de Israel (o show está esgotado) depois de ouvir o que ele tinha para nos contar sobre aspectos realmente sombrios da relação Israel-Palestina.

Eu preciso lhe dizer, como disse a ele, como meu coração é fortemente contra a posição de direita arrogante do governo israelense. Eu odeio a política de ocupação, as decisões desumanas que Israel tomou naquilo que Netanyahu nos diz ser sua autodefesa. E acho que a maioria dos israelenses que se interessam por nossa música tende a reagir de forma similar à política de seu país.

Aqui reproduzo o que disse a um jornalista brasileiro que me questionou como eu responderia ao pedido de cancelamento em uma curta sentença: Eu cantei nos Estados Unidos durante o governo Bush e isso não significava que eu aprovasse a invasão do Iraque. Escrevi e gravei uma música que se opunha à política que levou à prisão de Guantánamo — e a cantei em Nova York e Los Angeles. Eu quero aprender mais sobre o que está acontecendo em Israel agora. Eu nunca cancelaria um show para dizer que sou basicamente contra um país, a não ser que eu estivesse realmente e de todo o meu coração contra ele. O que não é o caso. Eu me lembro que Israel foi um lugar de esperança. Sartre e Simone de Beauvoir morreram pró-Israel.

Gilberto Gil contou-me já ter sido aconselhado a cancelar shows em Israel antes, mas que ele se recusou a fazê-lo, mesmo após os terríveis acontecimentos de julho de 2014. Quanto a mim, eu gostaria de ver a Palestina e Israel como dois Estados soberanos. E entendo que Israel precisa escutar as reações que chegam do exterior. As Nações Unidas, muitos governos, e até artistas, como você, mostram os riscos de Israel ficar cada vez mais isolado, caso siga com suas políticas reacionárias. Às vezes, eu penso que é contraproducente isolar Israel. Isto é, se se está buscando a paz. Tenho muitas dúvidas sobre tema tão complexo.

Charbel sabe quantos problemas de produção teríamos no caso de cancelamento de um show que já foi anunciado e completamente vendido. Mas eu desistiria alegremente de tudo se estivesse seguro de que essa é a coisa certa a fazer. Devo pensar por mim mesmo, cometer meus próprios erros. Eu te agradeço — e a muitos outros — pela atenção e o esforço dedicados a me esclarecer sobre a política naquela região. Sempre falarei a verdade de meus pensamentos e sentimentos, e se eu fosse cancelar esse show apenas para agradar pessoas que admiro, eu não seria livre para tomar minhas próprias decisões. Eu vou cantar em Israel e prestar atenção ao que está acontecendo lá.

Netanyahu não ganhou fácil a última eleição. Acho que o fato de eu cantar lá é neutro para a política do país, mas se minhas canções, voz ou mera presença puderem ajudar os israelenses que não concordam com a opressão e a injustiça — em uma palavra, a se sentirem mais longe de votar em alguém como ele — eu estarei feliz.”

 

 

 

Roger Waters enviou outra carta de volta, desta vez dizendo que acha que o brasileiro está “sendo ingênuo” e implorando para que ele mude de ideia, confira abaixo a tradução na íntegra:

Querido Caetano,

Obrigado por gastar seu tempo para responder minha carta. Diálogo é realmente algo importante. Vou responder aos pontos que você levantou. Receio que você possa estar vendo a política israelense sob um prisma cor-de-rosa, pois por muitas décadas, desde a Nakba (catástrofe, a expropriação do povo palestino) em 1948, as políticas coloniais e racistas de Israel têm devastado a vida de milhões de palestinos.

O movimento BDS, ao qual eu estou pedindo que se junte, é um movimento global que demanda a liberdade, justiça e igualdade para todos os palestinos. Ele está aumentando rapidamente por causa da crescente consciência internacional sobre a opressão que os palestinos têm sofrido nesses últimos 67 anos. O atual regime de extrema direita de Netanyahu é simplesmente o último governo que vêm perpetrando atos cruéis de injustiça e colonização. Mas isso não é um problema apenas da direita. Na verdade, foi o partido de esquerda trabalhista quem fundou o programa de assentamentos ilegais e que também falhou em encerrar com a ocupação das terras palestinas e trazer a paz.

Em sua carta, você afirma que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir acreditavam em Israel antes de morrer. Pode ser verdade, mas isso foi naquele tempo, talvez naquela época eles não soubessem ou não compreendessem a brutalidade da ocupação das terras palestinas e a subjugação do povo. No entanto, eu sei que os assoalhos respingados de vinho e café do Café Flores e do Les Deux Maggots hoje reverberariam com os gritos de Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir revirando-se em seus túmulos ao ouvirem seus nomes usados em vão e anexados ao mastro da ocupação e opressão do povo palestino.

Você menciona o Arcebispo Emérito Desmond Tutu, bem, ele está entre os que apoiam o BDS, já que ele observou as ações de Israel e tem profunda simpatia com o povo palestino. Existe, como ele disse a você, um Apartheid nos territórios ocupados que é tão definitivo e desumano como o que havia na África do Sul do Apartheid, quando leis de infames e racistas estavam em prática. Assim como na África do Sul, palestinos e seus direitos legais são definidos pela origem racial ou religiosa. Você consegue imaginar algo assim no Brasil, na Inglaterra, nos EUA, Holanda ou Chile? Não. Por que não? Porque é inaceitável, é por isso que não.

Caetano, se permite fazer uma pergunta, por que você não rejeitaria a cumplicidade com tamanha injustiça agora, assim como você certamente teria rejeitado o racismo branco contra os negros da África do Sul nos anos oitenta?

Sua carta dá a sugerir que você acredita que seu futuro show em Tel Aviv possa vir a ajudar a mudar a política israelense. Eu diria que essa é uma posição ingênua. Infelizmente não é apenas o governo israelense que precisa de uma mudança de mentalidade. Pesquisas apontam que impressionantes 95% do público judeu israelense apoiou os bombardeios a Gaza em 2014 (561 crianças foram mortas), 75% não apoiam um Estado palestino baseado nas fronteiras longamente negociadas em 1967, e 47% acreditam que os cidadãos palestinos de Israel deveriam ser destituídos de sua cidadania.

Não, Caetano, tocar em Tel Aviv não vai mover o governo ou a maioria dos israelenses nem um centímetro, mas vai ser visto como se fosse a sua aprovação tácita ao status quo. Sua presença lá será usada como propaganda pela direita e dará cobertura e apoio moral às políticas ultrajantes, racistas e ilegais do governo de Israel.

É um dilema, eu entendo, mas se você quer realmente influenciar o governo israelense, se una a nós na linha de frente do BDS. Estamos tendo um efeito poderoso como você pode constatar pela reação deles, os agressores vindo com toda a força para tentar esmagar nossas vozes e nos silenciar.

Não seremos silenciados, somos fortes, e juntos nós poderemos ajudar a libertar não apenas o povo palestino da opressão de Israel, mas também o povo de Israel da opressão de seus próprios dogmas, que é fatal a ambos os povos.

Eu imploro que você não prossiga com sua participação em Tel Aviv, e em vez disso tenha a oportunidade de visitar Gaza e a Cisjordânia e ver por si mesmo o que Sartre e de Beauvoir não viveram para ver. Acredito que sua resolução de tocar em Tel Aviv se dissolverá em um mar de lágrimas e arrependimento.

Caetano, eu não conheço você pessoalmente, mas acredito que você tem boas intenções e não carrego nenhum ressentimento. Se você for a Tel Aviv apesar de nossos apelos sinceros, e se você decidir visitar Gaza ou os territórios ocupados, você deverá ter uma epifania. Se você o fizer, por favor procure a gente, procure a todos nós, não só nas comunidades palestinas e judaicas, mas todos nós em solidariedade no Brasil e em outros lugares, todos nós no BDS que estamos em todo o mundo trabalhando por justiça e direitos iguais na Terra Santa. Nós iremos abraçá-lo.

Eu lhe agradeço de novo por se juntar a essa conversa. Por favor, vá e veja as coisas por si mesmo, mas sem se apresentar lá, sem cruzar a linha de piquete do boicote palestino. Talvez a UNWRA possa te ajudar, eles certamente me ajudaram quando eu estava procurando a realidade. Vá e veja as coisas por si mesmo, você não terá que usar sua imaginação. A realidade é muito mais devastadora que qualquer coisa que você possa imaginar.

Obrigado,
Seu colega,
Roger Waters

 

 

 

 

Carta de uma palestino-brasileira a Gil e Caetano

 

Queridos Caetano e Gil,

Tenho 46 anos de idade. Como muitos da minha idade e geração, cresci ouvindo suas belas músicas. Mas, infelizmente como poucos da minha idade e geração, também cresci ouvindo histórias de um povo muito generoso, hospitaleiro, que cuidava de sua terra com muito amor, até que um dia foi expulso dali, violentamente. Estou falando do povo palestino, das minhas raízes. Sou brasileira de origem palestina. Meu pai tinha apenas 13 anos de idade quando, juntamente com toda a família e cerca de 800 mil palestinos, foi obrigado a deixar sua terra para um exílio – e refúgio – que já dura 67 anos. Minha mãe também é filha de palestino.

Por Soraya Misleh

Caetano, é por isso que leio com tristeza sua resposta a Roger Waters, em que afirma: “Eu me lembro que Israel foi um lugar de esperança.” Israel se fundou sobre um projeto deliberado de limpeza étnica do povo palestino, para constituição de um estado homogêneo, exclusivamente judeu. O que há de lugar de esperança nisso? Até então, na Palestina, vivia uma minoria judaica, além de cristãos, muçulmanos e pessoas não religiosas. Meu pai conta que, quando era criança, judeus, cristãos e muçulmanos brincavam juntos, sem rótulos. Isso não é possível com apartheid. Nunca tivemos qualquer problema com judeus. Somos contra o projeto sionista – não contra judeus. Assim como o mundo se posicionou contra o apartheid na África do Sul e os horrores do Holocausto sob o nazismo, nosso pedido é que se posicionem contra o sionismo. Gil, diferentemente do que afirmou à imprensa, não há nada de democrático em um estado com essa natureza.

Muitas das músicas de vocês, que trazem tanta poesia à nossa vida, servem para embalar também a nostalgia de uma terra para a qual os palestinos expulsos em 1948 estão impedidos de retornar, onde cabia todo mundo. “Felicidade foi se embora, e a saudade no meu peito ainda mora (…) A minha casa fica lá de trás do mundo, onde eu vou em um segundo quando começo a cantar. O pensamento parece uma coisa à toa, mas como é que a gente voa quando começa a pensar.”

 

De lá para cá, Israel expulsou em 1967 mais milhares de palestinos. Hoje são 5 milhões vivendo em campos de refugiados. Ao longo de todo esse período, a situação não tem melhorado. Pelo contrário, com o incremento da colonização, muitos palestinos continuam sendo expulsos de suas terras. Assim, com base no direito internacional e tendo como referência o apartheid que perdurou até os anos 1990 na África do Sul, o Tribunal Russell sobre Palestina declarou em 2011 que Israel é um estado de apartheid institucionalizado (leiam aqui, por favor:https://goo.gl/nL3UKR). Há leis racistas e discriminatórias contra os palestinos, que são desumanizados cotidianamente.

As nossas famílias foram separadas e apenas em 2010 pude pisar pela primeira vez na terra em que meu pai nasceu. Tive a emoção de conhecer o único irmão de meu pai ainda vivo e uma enorme e amorosa quantidade de primos. Tenho, por justiça, lutado para denunciar a ocupação e o apartheid israelenses há anos e estou engajada na campanha de BDS a Israel – um chamado da sociedade civil palestina até que os direitos humanos fundamentais lhe sejam garantidos. Pela minha origem e por esse crime – o crime de fazer valer o direito à liberdade de expressão e manifestação no Brasil por que vocês tanto lutaram -, não pude mais rever minha família. Em 2011, fui impedida de entrar na Palestina, após um calvário de interrogatórios, revistas e intimidação de mais de dez horas (calvário esse que todos os brasileiros-palestinos passam quando vão visitar seus familiares). Neste ano, em março, participei do Fórum Social Mundial em Túnis, na Tunísia, e construímos, como parte do processo por um mundo mais justo, uma missão humanitária à Palestina ocupada. A missão foi devidamente negociada junto ao governo brasileiro e as autoridades israelenses e mesmo assim, foi negada a entrada a mim e a outro brasileiro, Mohamad El Kadri – dos 16 integrantes, os dois únicos com pais e avôs árabes, dados que Israel pediu a cada um de nós. Como ficou demonstrado, o apartheid começa já na fronteira israelense.

Lembro-me que em 2010 encontrei-me com Nita Freire, viúva do educador Paulo Freire, que me contou que Paulo Freire recusou-se a participar de uma atividade numa universidade israelense que falaria sobre diálogo. Paulo Freire recusou-se por entender que parte dos interlocutores do suposto diálogo não poderia estar presente, diante do apartheid. Disse que estaria à disposição no momento em que de fato essa situação se transformasse.

Como infelizmente ainda não chegou este momento, peço a vocês: cancelem o show em Israel. Os palestinos, fãs da sua música, não poderão estar presentes – eles não podem transitar livremente. Se eu quisesse ver o show de vocês em Tel Aviv, não poderia. Israel afirmou que sou “ameaça a sua segurança” e estou banida de visitar meus familiares e a terra de meus ancestrais por cinco anos. Não sou terrorista, sou um ser humano que luta por justiça.

Gil, ouvi você cantar “Imagine” no Fórum Social Mundial em Túnis, Tunísia, em 2013. Esse outro mundo que você tão bem cantou, trazendo a lembrança de John Lennon, não é possível enquanto aceitarmos como normal o apartheid a que está submetido o povo palestino.

Mantenho a esperança de contar com a mensagem inestimável de vocês ao mundo, por justiça, igualdade e liberdade. E deixo aqui as palavras do poeta palestino Mahmoud Darwish: “Nós, palestinos, sofremos de um mal incurável que se chama esperança. Esperança de libertação e de independência. Esperança de uma vida normal, na qual não seremos nem heróis nem vítimas. Esperança de ver nossas crianças irem à escola sem riscos. Para uma mulher grávida, esperança de dar à luz um bebê vivo, num hospital, e não uma criança morta diante de um posto de controle militar. Esperança de que nossos poetas verão a beleza da cor vermelha nas rosas e não no sangue. Esperança de que esta terra reencontrará seu nome original: terra de amor e de paz. Obrigado por carregar conosco o fardo dessa esperança.”

Obrigada, Gil e Caetano!

 

Soraya Misleh é jornalista, membro da diretoria do ICArabe, da Ciranda Internacional da Informação Independente e da Frente em Defesa do Povo Palestino

– See more at: http://port.pravda.ru/cplp/brasil/29-06-2015/38963-palestina_brasileira-0/#sthash.n1ztIzKQ.dpuf

 

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