COLETIVO DE LUTA PELA ÁGUA

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NOTA DE REPÚDIO
Conferir ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o Premio Lucio Costa de
Mobilidade, Saneamento e Habitação”em virtude do trabalho desenvolvido à frente da
Sabesp e da Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos do Estado de São Paulo” é
um profundo desrespeito à população da Região Metropolitana de São Paulo e de
muitas outras cidades do Estado que diariamente e por longas horas se veem privados
do acesso ao bem mais primordial para a vida que é a água.
Faltou bom senso à Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara de Deputados ao
premiar o principal responsável pela maior crise hídrica pela qual já passou o estado de
São Paulo conforme análise da Agência Nacional de Águas, do Tribunal de Contas do
Estado, do Ministério Público e de outros organismos que apontaram que havia sólidos
indícios de uma forte estiagem – que se repete a cada década e que faltou planejamento e
ação ao governo do Estado para minimizar a crise e minorar o sofrimento das pessoas,
especialmente daquelas que vivem nos pontos mais altos e distantes nas periferias e que
chegam a ficar vários dias seguidos sem água.
Perguntamos aos deputados que selecionaram o governador Geraldo Alckmin para
receber este premio pela gestão do saneamento e dos recursos hídricos se cabe a
honraria quando a Sabesp perde por vazamentos um em cada três litros de água potável
produzida? Se os rios estão poluídos pelo lançamento de esgoto sem tratamento em
quantidade que corresponde a quase metade do esgoto gerado na grande São Paulo? Por
não ter executado as obras previstas pelo próprio governo em diversos planos de
abastecimento? Por realizar obras emergenciais de interligação com rios que não tem
água como o Guaió desperdiçando dinheiro público? Por fazê-las sem o devido
licenciamento ambiental, degradando áreas de proteção de mananciais e para justificar a
ilegalidade declarando situação de criticidade de última hora quando desde 2013 a
sociedade pede que se diga a verdade sobre a crise? Por deixar de apresentar um plano
de contingência – “papelório inútil” nas palavras do governador – para enfrentar a crise,
muitas vezes prometido e sempre adiado? Por deixar de fazer os investimentos
necessários para privilegiar o pagamento de dividendos aos acionistas privados e ao
próprio Estado, que também não reverteu os recursos em serviços de saneamento?
A premiação de Geraldo Alckmin é uma afronta à memória do grande arquiteto e
urbanista Lúcio Costa, autor do projeto do Plano Piloto de Brasília. A infeliz indicação
do deputado federal João Paulo Papa (PSDB-SP), ex alto funcionário da Sabesp e a sua
aprovação pela Comissão de Desenvolvimento Urbano precisa de revisão urgente. Não
é possível distorcer a realidade de forma que algo se transforme em seu oposto.
Reafirmamos que a água é um direito humano e não uma mercadoria, como tem sido
vista pelos últimos governos paulistas o que resultou nesta grave crise que tem afetado
profundamente a vida dos paulistas.
Coletivo de Luta pela Água
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