João Cândido, o Almirante Negro

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A REVOLTA dos “Dreadnoughts”. A Gazeta. São Paulo, n.2024, 30 nov. 1912. p.8 (APESP)

 

João Cândido Felisberto, conhecido como “Almirante Negro” foi um marinheiro brasileiro notório por ter liderado a Revolta da Chibata

joao_candidoJoão Cândido Felisberto, mais conhecido como Almirante Negro, nasceu no Rio Grande do Sul em 24 de junho de 1880. Filho de escravos, Cândido serviu a Marinha por 15 anos até ser preso e expulso da corporação por sua participação e liderança na Revolta da Chibata. Morreu vítima de uma câncer, em 06 de dezembro de 1969, aos 89 anos.

Em 22 de novembro de 1910 – 6 dias após a punição de 250 chibatadas infligida ao marujo Marcelino Menezes – explodiu a Revolta da Chibata. Os marinheiros, sob liderança de João Cândido, protestaram contra as condições a que estavam relegados: os baixos salários, a ausência de um plano de carreira e, sobretudo, contra o castigo de impor chicotadas naqueles que cometiam as menores falhas. A punição da chibatada era uma prática herdada da marinha portuguesa e os castigos eram realizados a vista dos demais marinheiros.
Após a Revolta, trabalhou como timoneiro e carregador em algumas embarcações particulares e da Marinha, sendo demitido de todos os empregos por pressão dos oficiais da Marinha. Em 1917, começou a trabalhar como pescador para sustentar a família. Até os seus últimos dias de vida, João Cândido e sua família viveram na miséria.

O MARINHEIRO João Cândido. A Illustração Brazileira, Rio de Janeiro, n. 37

O MARINHEIRO João Cândido. A Illustração Brazileira, Rio de Janeiro, n. 37

A música “O Mestre-Sala dos Mares”, de João Bosco e Aldir Blanc, composta nos anos 70, imortalizou João Cândido e a Revolta da Chibata. Como diz o samba, seu monumento estará para sempre “nas pedras pisadas do cais”…

O programa DE LÁ PRA CÁ, veja link acima,  apresentado por Ancelmo Gois e Vera Barroso sobre Revolta da Chibata foi exibido pela TV Brasil no dia 28 de março de 2010 e entrevistou o cantor João Bosco  que falou sobre a música.

MÚSICA DE JOÃO BOSCO E ALDIR BLANC EM HOMENAGEM A REVOLTA DA CHIBATA

Mestre-Sala dos Mares”, de João Bosco e Aldir Blanc, composto nos anos 70, imortalizou João Cândido e a Revolta da Chibata. Como diz a música, seu monumento estará para sempre “nas pedras pisadas do cais”. A mensagem de coragem e liberdade do “Almirante Negro” e seus companheiros resiste.

O Mestre Sala dos Mares

(João Bosco / Aldir Blanc)

(letra original sem censura)

Há muito tempo nas águas da Guanabara

O dragão do mar reapareceu

Na figura de um bravo marinheiro

A quem a história não esqueceu

Conhecido como o almirante negro

Tinha a dignidade de um mestre sala

E ao navegar pelo mar com seu bloco de fragatas

Foi saudado no porto pelas mocinhas francesas

Jovens polacas e por batalhões de mulatas

Rubras cascatas jorravam das costas

dos negros pelas pontas das chibatas

Inundando o coração de toda tripulação

Que a exemplo do marinheiro gritava então

Glória aos piratas, às mulatas, às sereias

Glória à farofa, à cachaça, às baleias

Glória a todas as lutas inglórias

Que através da nossa história

Não esquecemos jamais

Salve o almirante negro

Que tem por monumento

As pedras pisadas do cais

Mas faz muito tempo

 

O Mestre Sala dos Mares

(João Bosco / Aldir Blanc)

(letra após censura durante ditadura militar)

Há muito tempo nas águas da Guanabara

O dragão do mar reapareceu

Na figura de um bravo feiticeiro

A quem a história não esqueceu

Conhecido como o navegante negro

Tinha a dignidade de um mestre sala

E ao acenar pelo mar na alegria das regatas

Foi saudado no porto pelas mocinhas francesas

Jovens polacas e por batalhões de mulatas

Rubras cascatas jorravam das costas

dos santos entre cantos e chibatas

Inundando o coração do pessoal do porão

Que a exemplo do feiticeiro gritava então

Glória aos piratas, às mulatas, às sereias

Glória à farofa, à cachaça, às baleias

Glória a todas as lutas inglórias

Que através da nossa história

Não esquecemos jamais

Salve o navegante negro

Que tem por monumento

As pedras pisadas do cais

Mas faz muito tempo

 

 

 

 

Fonte:  Arquivo Público do Estado de São Paulo / Museu Afro Brasileiro

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