Dia do Padre

jaime congresso

 

Crer no Evangelho e na missão é crer que não existem fronteiras irredutíveis para encontrar as pessoas

Como hoje é o dia do Padre, rendo aqui minha homenagem ao padres citando nominalmente padre Jaime Carlos Patias, IMC, secretário nacional da Pontifícia União Missionária, meu colega de pesquisa no Grupo de Pesquisa da Comunicação na Sociedade do Espetáculo da Faculdade Cásper Líbero, autor de vários artigos e co-autor do livro Comunicação Sociedade do Espetáculo, São Paulo: Paulus, 2006.   Missionário da Consolata, Padre Jaime é mestre em comunicação pela Faculdade Cásper Líbero em São Paulo e assessor de Comunicação das POM (Pontifícias Obras Missionárias); membro do Grupo de Pesquisa Comunicação na Sociedade do Espetáculo, autor de diversos artigos e co-autor de vários livros, entre os quais Comunicação, Cultura de Rede e Jornalismo, (Almedina, 2012). Trabalhou em Moçambique (1994-2001). Foi diretor da revista e do site Missões (2002-2012)

O Dia do Padre é celebrado oficialmente em 4 de agosto, data da Festa de São João Maria Vianney, desde 1929, quando o papa Pio XI o proclamou “homem extraordinário e todo apostólico, padroeiro celeste de todos os párocos de Roma e do mundo católico”. Padroeiro é o representante de uma categoria de pessoas, cuja vida e santidade comprovadas estimulam a uma vida de fé em comunhão com a vontade de Deus.

 

O padre entende o chamado para ser um servo de Deus, um sacerdote, um “pai” (padre) à semelhança de Cristo, que amou e deu sua vida ao povo pobre, simples e marginalizado. Nunca hesita, tudo aceita, confia e acredita em Deus e na sua Providência e caminha seguro para a missão que lhe é designada.

A vida simples e a simplicidade dos ensinamentos de Jesus Cristo são o fundamento do seu ministério, único parâmetro e exemplo a seguir. A sua tarefa é continuar a missão de Jesus Cristo, o único e eterno sacerdote. É o padre que, por meio do Evangelho, leva os seres humanos a Deus, pela conversão da fé em Cristo. Por isso, é pessoa que nasce com esse dom e, logo cedo, ou no momento oportuno, ouve o chamado do Pai para se consagrar a servir à comunidade, nos assuntos que se referem a Deus.

Ser padre é ser “pai” de uma comunidade inteira. Como tal, ele é o homem da Palavra de Deus, da Eucaristia, do perdão e da bênção, exemplo de humildade, penitência e tolerância, o pregador e conversor da fé cristã. Enfim, é um comunicador e entusiasta da Igreja, que luta por uma vivência cristã mais perfeita, dessa Igreja missionária, que não sobreviveria sem o sacerdote, como afirmou o próprio Jesus Cristo, seu fundador pela Paixão por nós.

Sua missão é construir comunidades, entender a alma humana e perdoar os pecados, evangelizar, unir e alimentar a comunidade por meio da Eucaristia. Confia nas palavras de Lucas 21,15 “(…) eu vos darei palavras tão acertadas que nenhum dos inimigos vos poderá resistir ou rebater — e é verdadeira testemunha da fé, por sua oração, sacrifício e coragem cristã.”

(Retirado do livro “Datas Comemorativas”, Paulinas Editora)

DESAFIOS CONTEMPORÂNEOS DA MISSÃO PARA A IGREJA LOCAL

vicariato_de_gravatai142Pe. Jaime Carlos Patias, IMC, Pontifícia União Missionária.
Apontamentos extraídos das orientações para a animação missionária da Igreja no Brasil elaborado pelo Conselho Missionário Nacional (Comina).
Missão e Cooperação Missionária
Recentes documentos da Igreja e o Papa Francisco propõem colocar todas as atividades de evangelização em chave missionária. Essa tarefa faz parte da identidade e natureza da vida cristã.
1. Os fundamentos da missão
O Concílio Vaticano II definiu “a Igreja peregrina” como “missionária por natureza” (AG 2): essa é sua vocação própria, sua identidade mais profunda (cf. EN 14), sua razão de ser, sua essência estruturante e seu serviço à humanidade (cf. DP 1145; RMi 2). Portanto, a Igreja é chamada a estar “em saída” como o seu Senhor que “sabe ir à frente, sabe tomar iniciativa sem medo, ir ao encontro, procurar os afastados e chegar às encruzilhadas dos caminhos para convidar os excluídos” (EG 24).
O mandato missionário que a Igreja recebeu do Ressuscitado, ao longo do tempo assumiu formas e modalidades sempre novas conforme os lugares, as situações e os períodos históricos. A tarefa missionária continua a mesma confiada por Jesus aos discípulos, contudo, o anúncio do Evangelho parece muito mais complexo hoje do que no passado, porque a humanidade está vivendo uma época de profundas transformações (cf. DGAE 2011, 25; EN 17). Os cenários da atualidade nos provocam repensar uma missão que abrange a realidade toda, para que seja sustentada por:
(1) uma apropriada reflexão teológica, (2) uma conversão interior, (3) uma clareza de horizontes e (4) uma ousada ação evangelizadora.
A Igreja precisava repensar sua ação evangelizadora no mundo, sem perder seu fundamental dinamismo missionário e, principalmente, suas motivações essenciais. De fato, a dimensão universal do anúncio do Evangelho está baseada na proclamação de um único e verdadeiro Deus para todos, e na adoção de meios específicos para a salvação, como os sacramentos e a pertença à Igreja. Em torno da afirmação desses dois conceitos chaves, a missão ad gentes encontra sua razão de ser (cf. RMi 9), isso, porém, “não significa que a salvação se destina apenas àqueles que, de maneira explícita, creem em Cristo e entram na Igreja” (RMi 10). O anúncio é para todos.

2. Fundamentos trinitários
Os cenários da atualidade nos provocam repensar a missão em sua totalidade, para que seja sustentada por uma apropriada reflexão teológica, uma conversão interior, uma clareza de horizontes e uma ousada ação evangelizadora.
Uma renovada visão eclesiológica e missiológica, inaugurada há 50 anos pelo Concílio Vaticano II e suas Constituições Lumen gentium e Gaudium et spes e pelo Decreto Ad gentes mostra que a missão não é uma atividade da Igreja, mas é uma essência que tem origem no amor fontal do Pai, um amor que não se contém, que transborda, que se comunica e sai de si por sua própria natureza missionária (cf. LG 5; 8; 17; AG 2; DAp 129; 347).
Esta missão de Deus se manifestou de maneira definitiva com o envio do Filho amado, o Verbo feito carne (cf. Jo 1,14) “que por nós se tornou pobre, enriquecendo-nos com sua pobreza” (AG 3). Ele “quer comunicar-nos a sua vida e colocar-se a serviço da vida” (DAp 353).
Para realizar seu plano de amor, a missão de Deus se revela sobretudo no dinamismo, na efusão e no protagonismo do Espírito Santo, que “já atuava no mundo antes da glorificação de Cristo” (AG 4). Presente na vida de Jesus desde sua concepção (cf. Lc 1,35), durante todo o seu ministério (cf. Lc 4,18), até ser entregue pelo Ressuscitado aos discípulos (cf. Jo 20,22), é o Espírito que suscita a fé (cf. 1Cor 12,3), descendo também sobre os pagãos (cf. At 10,47) e dirigindo a missão da Igreja aos povos (cf. At 16,6-7).

3. Conversão eclesial para uma Igreja “em saída”
A partir dos fundamentos trinitários a missão se torna para a Igreja não mais uma atividade entre outras, mas participação na vida divina, o que lhe confere sua identidade. “A Igreja é por sua natureza missionária” (AG 2): a Igreja “é” ao ser enviada, ela se edifica para a missão. Portanto, não é a missão que procede da Igreja, mas é a Igreja que procede da missão de Deus. Os Atos dos Apóstolos mostram com clareza que a Igreja se constitui na medida em que, aos poucos, assume a missão ad gentes. A missão gera a Igreja.
Consequentemente, “a Igreja necessita de forte comoção que a impeça de se instalar na comodidade, no estancamento e na indiferença, à margem do sofrimento dos pobres do Continente” (DAp 362). A conversão pastoral e a renovação missionária da qual fala o Documento de Aparecida, refere-se substancialmente a reencontrar uma saída: “trata-se de sair de nossa consciência isolada e de nos lançarmos, com ousadia e confiança, à missão de toda Igreja” (DAp 363), abandonando estruturas caducas (cf. DAp 365), transformando as pessoas (cf. DAp 366), assumindo relações de comunhão (cf. DAp 368), adotando práticas pastorais missionárias (cf. DAp 370) e projetando-se além-fronteiras (DAp 376).
Por isso, o envio missionário é expressão de uma alegre disposição, abertura, liberdade, para além de todas as barreiras. Um modelo de Igreja excessivamente rígido, fechado e autorreferencial não é apto para a missão.
4. Os horizontes da missão
Os horizontes deste movimento de proximidade são sempre geográficos e escatológicos: os confins da terra e o fim do tempo. Crer no Evangelho e na missão é crer que não existem fronteiras irredutíveis para encontrar as pessoas.
A missão, enquanto elemento estruturante da identidade e da atividade de toda a Igreja, se expressa hoje num quadro complexo de situações e de interlocutores que não permitem mais interpretá-la unilateralmente. Antes de tudo, indica uma dinâmica paradigmática capas de colocar em chave missionária toda a atividade habitual da Igreja (cf. EG 15). Em segundo lugar, se desdobra em projetos e âmbitos que dependem de contextos e circunstâncias específicas (AG 6).
Olhando para o mundo de hoje, à luz do magistério da Igreja, optamos pela distinção de três âmbitos essenciais de missão que requerem tarefas específicas.
a) a pastoral, que tem como interlocutores os cristãos e as comunidades eclesiais constituídas. Quanto à tarefa, estamos no campo da animação pastoral da comunidade cristã: trata-se de animar “pelo fogo do Espírito, a fim de incendiar os corações dos fiéis que frequentam regularmente a comunidade, reunindo-se no dia do Senhor para se alimentar da sua Palavra e do Pão de vida eterna” (Bento XVI). O objetivo essencial desta tarefa é formar a comunidade eclesial como sujeito vivo da ação missionária, para que seja fermento no mundo, começando por evangelizar a si mesma (cf. EN 15) e dando extensão e vigor à própria evangelização (cf. DP 364). A comunidade representa a grande proposta que a Igreja faz ao mundo com sua missão. A salvação não passa pela simples distribuição de sacramentos, mas pela resposta a um chamado de discipulado missionário que se realiza numa intensa vida de fraternidade. A vida cristã deve, antes de tudo, ser saboreada na participação a pequenos núcleos fraternos, que têm como objetivo um compromisso missionário e que formam uma assembleia junto às outras comunidades na celebração da Eucaristia. Desta maneira a paróquia se torna “uma rede de comunidades” (DAp 172).
b) a nova evangelização, com os cristãos que estão afastados da vida da comunidade, como também os que não creem em Cristo na sociedade secularizada (cf. DAp 168; 362; 551; cf. RMi 37). Nesse âmbito, a tarefa é a ação evangelizadora da comunidade na sociedade como “sinal mais claro da maturidade da fé” (RMi 49): trata-se de passar “de uma pastoral de mera conservação para uma pastoral decididamente missionária” (DAp 370); de uma pastoral de socialização cristã espontânea a uma pastoral de iniciação cristã; de uma pastoral de acolhida daqueles que estão na Igreja a uma pastoral do ir ao encontro de quantos não conhecem, recusam ou são indiferentes à mensagem evangélica; de uma pastoral de afirmação da doutrina e da prática sacramental a uma pastoral inculturada capaz de contextualizar os conteúdos da fé (cf. EG 116); de uma pastoral da eficiência e da organização a uma pastoral de acompanhamento e de escuta (cf. EG 46; 82; 171). A tomada de consciência da missionariedade deve proporcionar um processo de saída: não podemos esperar que as pessoas venham a nós, precisamos ir ao encontro delas e anunciar-lhes a Boa Nova onde se encontram. Esse processo se expressa numa prática eclesial focada no “primeiro anúncio” (cf. EG 164), realizada por todo o Povo de Deus (cf. EG 114), na autêntica opção pelos pobres (cf. EG 198) e na saída para as periferias (cf.EG 30)
c) a missão ad gentes, que tem como interlocutores aqueles que não conhecem Jesus Cristo no meio de outros povos e sociedades, onde a presença da Igreja não está suficientemente estruturada (cf. RMi 33; EG 14). A terceira linha de ação essencial para uma Igreja em estado permanente de missão é a cooperação missionária e a tarefa diz respeito à missão ad gentes, a todos os povos. Trata-se da participação de cada Igreja local na missão universal, e da fundamental solidariedade de cada comunidade com os outros povos e com as outras igrejas espalhadas pelo mundo afora: “o Evangelho possui um critério de totalidade que lhe é intrínseco: não cessa de ser Boa Nova enquanto não for anunciado a todos” (EG 237). De forma alguma a missão e a pertença eclesial podem ser pensadas somente dentro de perímetros paroquiais, diocesanos e nacionais: “seria um erro deixar de promover a atividade evangelizadora fora do Continente com o pretexto de que ainda há muito para fazer na América” (EAm 74). A universalidade é a alma da missão e do seguimento discipular, pois a Igreja foi constituída como “sacramento universal de salvação” (LG 48; AG 1),
Sobre esse último âmbito é dever lembrar que: “sem a missão ad gentes, a própria dimensão missionária da Igreja ficaria privada de seu significado fundamental e de seu exemplo de atuação”, e por isso “é preciso evitar que (…) se torne uma realidade diluída na missão global de todo povo de Deus, ficando, desse modo, descurada ou esquecida” (RMi 34).
É de suma importância compreender estas três linhas de ação como intimamente interconexas.
Para conversar:
1. Quanto por cento dos nossos recursos humanos e materiais são destinados para cada uma desses âmbitos: pastoral, nova evangelização e missão ad gentes (aos povos)?

2. De que maneira a missão ad gentes pode se tornar parte essencial da pastoral ordinária?

Pe. Jaime Carlos Patias, IMC, Pontifícia União Missionária. E-mail: uniao@pom.org.br

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