CARTA ABERTA EM DEFESA DOS TRABALHADORES DA RÁDIO E TV CULTURA

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A TV Cultura já foi considerada a experiência brasileira mais avançada no campo da TV pública, mantendo uma programação de qualidade voltada ao interesse da população sem cair no popularesco ou no sensacionalismo. A comunicação é um fator de integração e consolidação da cultura nacional, mas o sucateamento da emissora, além de significar a perda de centenas de empregos, representa a pequenez intelectual de uma elite que abriu mão de pensar um projeto nacional para o país. A crise da TV Cultura é a ponta desse iceberg.

O momento não é de medidas pontuais ou paliativas. É necessária uma ampla mobilização social para exigir do atual governo um projeto para a Rádio e TV Cultura e uma política pública para a comunicação no Estado de São Paulo. É preciso aglutinar os interessados, principalmente no poder público, em evitar o desmonte da Rádio e TV Cultura, criar um espaço de debate sobre o caráter da TV pública no Brasil e estabelecer uma política de financiamento para o setor. Assim, poderemos garantir que a TV Cultura seja um espaço mais reflexivo e criativo, fugindo da mesmice das TVs comerciais.

Assim sendo, os jornalistas e radialistas que trabalham na Rádio e Televisão Cultura solicitam do Conselho Curador, representado pelo seu presidente, Belizário dos Santos Júnior, que venha a se somar aos inúmeros brasileiros que querem salvar a TV Cultura dos ditames do mercado tradicional de comunicação e do puro e simples desmonte.

Nós, jornalistas e radialistas,  também solicitamos dos Conselheiros empenho junto ao governo do Estado e órgãos responsáveis pela política salarial do governo no sentido de obter autorização para conceder os reajustes acordados pelas categorias em suas atuais Convenções Coletivas de Trabalho.

Nossas categorias profissionais foram surpreendidas pela negativa do Codec – Conselho de Defesa dos Capitais do Estado -, que não aprovou a proposta salarial de ambas as categorias. Isso significa, na prática, um rebaixamento real de salários. Todos os trabalhadores da TV estão com seus vencimentos defasados, corroídos pela alta inflacionária desde o ano passado.

Esta situação é insustentável, compromete a qualidade do trabalho realizado, coloca todos os trabalhadores frente a uma piora da qualidade de vida e desnuda o descaso do governo atual com os profissionais, que são a carne e o sangue da emissora.

Entendemos que o reajuste pleiteado faz justiça à equipe de trabalhadores da Casa, reconhece sua importância e honra a memória de Vladimir Herzog, símbolo do jornalismo cidadão praticado pela Rádio e Televisão Cultura que completa 40 anos de seu assassinato pela ditadura militar, além Antonio Abujanra e Inezita Barroso, ícones da cultura brasileira.

Nossa intenção é única e exclusivamente a de garantir nossos legítimos interesses e, assim, manter a qualidade dos serviços prestados ao cidadão e honrar a tradição da Rádio e TV Cultura de ser uma alternativa de qualidade às empresas comerciais que se pautam pelos valores de mercado e não pelos da cidadania.

Nos manifestamos, diante deste difícil cenário, em defesa da Rádio e TV Cultura. E defendê-la é, antes de tudo, defender os salários e as condições de trabalho dos radialistas e jornalistas que fazem da emissora um exemplo para todo o país.

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