O sentimento do mundo para Carlos Drummond de Andrade

 

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Publicado em 1940, SENTIMENTO DO MUNDO foi o livro que consagrou definitivamente Carlos Drummond de Andrade como um dos maiores poetas brasileiros de todos os tempos

O sentimento do poeta neste livro é rebelde e muitas vezes sombrio e pessimista. “Não serei o poeta de um mundo caduco”, afirma Drummond, se negando a participar de um mundo com homens medíocres e sem iniciativa.

SENTIMENTO DO MUNDO descreve o nosso tempo através de uma visão concreta e cosmopolita, onde o poeta é um privilegiado observador.

O populismo, sua recusa e, enfim, a lucidez ideológica, presentes na poesia de SENTIMENTO DO MUNDO, faz deste um de seus livros mais políticos. O sentimento do poeta se estende para o sentimento de todo um mundo, é o sentimento da humanidade em guerra, da luta de classes, da revolução sócio-econômica e da explosão da utopia socialista.

Drummond inaugura em SENTIMENTO DO MUNDO uma nova fase em sua poesia e um novo relacionamento com o leitor – a cumplicidade se torna obrigatória ao estender a compreensão e os problemas que o cercam do particular para o público, do ‘eu’ para o ‘nós’.

Em SENTIMENTO DO MUNDO, Itabira, cidade natal do poeta, é o lugar onde tudo acontece, enquanto ele observa. Itabira no livro é “o centro da margem esquerda do mundo capitalista”, segundo Silviano Santiago, prefaciador do livro. A cidade se assemelha a um jornal diário, enquanto Drummond é seu leitor crítico, transmitindo sua visão de mundo para o povo, que somos nós.

 

SENTIMENTO DO MUNDO é um marco na poesia e na história da literatura brasileira e esse destino glorioso foi previsto por Drummond em um dos versos do livro:

“lagarta mole que escreves a história,

escreve sem pressa mais esta história:
o chão está verde de lagartas mortas…
Adeus, princesa, até outra vida.”

 

Carlos Drummond de Andrade nasceu em 1902, em Itabira, Minas Gerais. Em 1921, vivendo em Belo Horizonte com a família, vê seus primeiros trabalhos publicados no Diário de Minas. Em 1924, conhece Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral, que regressam de excursão às cidades históricas de Minas Gerais, e inicia longa correspondência com Mário de Andrade, de quem recebe orientação literária. Em 1926, volta para Itabira, mas por pouco tempo. Um ano depois, volta para Belo Horizonte como redator e depois redator-chefe do Diário de Minas.

Em 1928, publica na Revista de Antropofagia, de São Paulo, o poema No meio do caminho, que suscita polêmica nos meios literários. Dois anos depois, publica  Alguma poesia (500 exemplares), sob o selo imaginário de Edições Pindorama. Brejo das almas é publicado em 1934, mesmo ano em que Drummond se transfere para o Rio como chefe de gabinete de Gustavo Capanema, ministro da Educação e Saúde Pública. Em 1940, publica Sentimento do mundo. Só a partir de 1942 tem seus livros custeados por uma editora, a José Olympio, pela qual são editados A rosa do povo e O gerente, em 1945.

Em 1945, Drummond colabora no suplemento literário do Correio da Manhã, na Folha Carioca, deixa a chefia do gabinete de Capanema e, a convite de Luís Carlos Prestes, dirige o diário comunista Tribuna Popular, do qual se afasta meses depois. A convite de Américo Facó, trabalha na frustrada remodelação do Departamento Nacional de Informações, antigo DIP.

Na década de 40, já consagrado como poeta, publica Poesia até agora e volta a escrever no Minas Gerais. Os anos 50 são marcados pela publicação de obras importantes, como Claro Enigma, Viola de bolso, Fazendeiro do ar e Fala, amendoeira.

Em 1963, recebe os prêmios da União Brasileira de Escritores e do Pen Club do Brasil por Lição de coisas. Três obras de sua autoria são publicadas no exterior em 1965: Antologia poética (Portugal), In the Middle of the Road (Estados Unidos) e  Poesie (Alemanha).

Ao deixar o Correio da Manhã, em 1969, Drummond passa a colaborar no Jornal do Brasil, escrevendo uma coluna que se tornaria referência no jornalismo brasileiro. Em 1974, o escritor recebe o Prêmio de Poesia da Associação Paulista de Críticos Literários. No ano seguinte, é agraciado com o Prêmio Nacional Walmap de Literatura, mas o recusa. Novos prêmios chegam em 1980: o Estácio de Sá, de jornalismo, e o Morgado Mateus (Portugal), de poesia.

A última cronica no Jornal do Brasil: Sábado, 29 de setembro de 1984

A última cronica no Jornal do Brasil: Sábado, 29 de setembro de 1984

Ao completar 80 anos, o escritor recebe o título de doutor honoris causa pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte e é homenageado com exposições comemorativas na Biblioteca Nacional e na Casa de Rui Barbosa. Em 1983, declina do troféu Juca Pato. No ano seguinte, assina contrato com a Editora Record, após 41 anos na José Olympio. Estreia na nova casa editorial com Boca de luar e Corpo, mas decide encerrar a carreira de cronista regular, após 64 anos dedicados ao jornalismo. Pelo selo Record são lançados Amar se aprende amando, O observador no escritório, História de dois amores e Tempo vida poesia, entre outros.

Apesar de problemas de saúde no ano de 1986, ainda encontra tempo e disposição para escrever 21 poemas para a edição do centenário de Manuel Bandeira. Em 1987, Drummond é homenageado com o samba-enredo O reino das palavras pela escola de samba carioca Estação Primeira de Mangueira, que se sagra campeã. No dia 5 de agosto morre sua filha Maria Julieta, vítima de câncer. Doze dias depois, a 17 de agosto, o poeta falece, deixando cinco obras inéditas: O avesso das coisas, Moça deitada na grama, Poesia errante, O amor natural e Farewell.

 

O_SENTIMENTO_DO_MUNDO_1231112576PSENTIMENTO DO MUNDO

Carlos Drummond de Andrade

128 páginas

Formato: 14×21 cm

Preço: R$ 15,00

Lançamento: maio de 2001

ISBN: 85-01-06042-9

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1 comentário

  1. Recebo via Linkedin esse comentário de um amigo:
    «Drummond foi um romântico da sua época nos tempos idos que se valorizava a cultura e o conhecimento; observador que era das pequenas coisas, conseguia torná-las grandes aos olhos do mundo.Amava poesia como amava a si mesmo ;sonhava não com utopias, mas com realismo pois, para ele tudo era possível. O que lamento é que hoje poucos são os círculos que Drummond está presente. Seu legado permanece até hoje nas marcas que deixou. As vozes se calam, mas fica a cultura que jamais morrerá. Abraços amigo e professor Gilberto da Silva, somos do postulado e verdadeiro axioma na cultura. Parabéns por lembrar Drummond. Johnny Notariano>>

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